Você abriu o iFood, os pedidos começaram a chegar, o movimento aumentou — e no fechamento do mês o dinheiro não aparece. Essa história é muito mais comum do que parece. O motivo: a comissão do iFood transforma pratos que pareciam lucrativos no salão em produtos que dão prejuízo no delivery. E a maioria dos donos de restaurante só percebe isso tarde demais, quando o caixa já sangrou durante meses.
Neste artigo você vai entender exatamente quanto o iFood cobra, ver uma simulação real com valores em R$ e aprender como calcular o preço mínimo viável para não trabalhar no vermelho no delivery.
Quanto o iFood realmente cobra?
O iFood oferece diferentes planos de comissão, e o percentual varia conforme o contrato negociado. Em linhas gerais, os valores praticados ficam nessas faixas:
- Plano Basic (sem entrega pelo iFood): em torno de 12% sobre o valor do pedido
- Plano com entrega pelo iFood: entre 23% e 27% sobre o valor do pedido
- Planos promocionais e novos restaurantes: podem ter condições diferenciadas nos primeiros meses
Além da comissão, existem outros custos que muitos ignoram: taxa de processamento de pagamento (quando o cliente paga com cartão ou Pix pelo app), campanhas promocionais que o iFood sugere (e que corroem mais a margem) e embalagem de delivery, que é obrigatória e tem custo próprio.
Atenção: os percentuais do iFood variam por região, volume de pedidos e renegociação. Consulte sempre seu contrato para saber o percentual exato que se aplica ao seu restaurante.
Simulação real — um prato de R$ 35 no iFood
Vamos pegar um exemplo concreto. Imagine um prato de frango grelhado com arroz e salada, vendido a R$ 35,00 tanto no salão quanto no iFood. Custo de produção: R$ 11,50 (ingredientes + embalagem delivery).
No salão:
- Preço de venda: R$ 35,00
- Custo do prato: R$ 9,80 (sem embalagem delivery)
- CMV = (9,80 ÷ 35,00) × 100 = 28% ✓
No iFood (com comissão de 27%):
- Preço de venda no app: R$ 35,00
- Comissão iFood (27%): − R$ 9,45
- O que você efetivamente recebe: R$ 25,55
- Custo do prato com embalagem: R$ 11,50
- CMV sobre o recebível real: (11,50 ÷ 25,55) × 100 = 45% ✗
O mesmo prato que tinha CMV de 28% no balcão virou 45% no delivery — usando o mesmo preço. De cada R$ 100,00 que o cliente paga no app, R$ 27,00 vão para o iFood antes de você ver qualquer centavo. O que sobra ainda precisa pagar o custo do prato, embalagem, energia, mão de obra e gerar lucro.
Como calcular o preço mínimo viável para vender no delivery
A lógica é simples: se o iFood toma uma fatia do seu preço, você precisa cobrar mais para manter a mesma margem. A fórmula é:
Preço no iFood = (Custo do prato ÷ CMV% desejado) ÷ (1 − taxa do app)
Aplicando ao nosso exemplo:
- Custo do prato (com embalagem): R$ 11,50
- CMV desejado: 30%
- Preço mínimo sem taxa: R$ 11,50 ÷ 0,30 = R$ 38,33
- Com taxa iFood de 27%: R$ 38,33 ÷ (1 − 0,27) = R$ 38,33 ÷ 0,73 = R$ 52,51
Para manter o CMV de 30% com a taxa de 27% do iFood, o prato que custa R$ 11,50 para produzir precisa ser vendido por no mínimo R$ 52,51 no app — não R$ 35,00.
Se cobrar menos do que isso, você está pagando para trabalhar — literalmente.
Devo ter preço diferente no delivery e no salão?
Sim — e isso é permitido, é comum e faz todo o sentido financeiro. O iFood inclusive permite cadastrar preços específicos para o app, diferentes do cardápio físico.
O cliente que pede pelo app já sabe que está pagando pela conveniência da entrega. Uma diferença de 20% a 35% entre o preço do salão e do app é aceitável e esperada pelo consumidor. O que não é aceitável é você absorver esse custo e trabalhar no prejuízo.
A estratégia mais inteligente: calcule o preço correto para cada canal com base no seu custo real e mantenha a margem saudável em todos eles. Alguns pratos podem simplesmente não fazer sentido no delivery — e tudo bem tirá-los do cardápio do app.
Outros custos do delivery que ninguém fala
A comissão do iFood é o custo mais visível, mas não é o único que o delivery adiciona. Veja o que mais precisa entrar na conta:
- Embalagem: marmita, tampa, sachê de molho, guardanapo e talher descartável podem custar entre R$ 1,50 e R$ 4,00 por pedido dependendo do fornecedor e do tipo de produto.
- Sacola térmica de entrega (desgaste): se você usa entregador próprio, rateie o custo de reposição das bolsas entre os pedidos. Estima-se R$ 0,30 a R$ 0,60 por pedido.
- Motoboy próprio: se você faz delivery com motoboy contratado, calcule o custo por pedido dividindo o salário + combustível + manutenção pela média de pedidos por dia.
- Taxa de pagamento online: quando o cliente paga pelo app (cartão ou Pix), pode haver taxa adicional de processamento — verifique no contrato do iFood.
- Promoções e cupons: toda vez que o iFood sugere uma campanha de desconto, quem banca (total ou parcialmente) é você. Calcule se a venda promocional ainda gera margem positiva antes de aceitar.
Somando todos esses custos adicionais, o delivery pode representar de R$ 5,00 a R$ 10,00 de custo extra por pedido — além da comissão do app. Isso precisa estar embutido no seu preço de venda.
Como o Margem Certa simula o preço por canal de venda
Em vez de fazer essa conta manualmente para cada prato e cada canal, o Margem Certa permite configurar os parâmetros de cada canal de venda — incluindo a taxa do iFood, do Rappi ou de qualquer outro app — e calcula automaticamente o preço sugerido para cada canal.
Funciona assim:
- Você cadastra o canal de venda (iFood, salão, balcão, delivery próprio) com a taxa correspondente
- O sistema aplica a taxa sobre o custo do produto e calcula o preço mínimo viável para aquele canal
- Você vê, lado a lado, o preço ideal para o salão e para cada app de delivery
- Produtos que não geram margem em nenhum cenário aparecem destacados para revisão
O resultado: você para de depender de estimativas e começa a tomar decisões baseadas no custo real — por produto e por canal.
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Conclusão
A taxa do iFood não é vilã — é uma realidade do delivery que precisa ser incorporada na sua estratégia de precificação. Ignorar esse custo é a receita certa para trabalhar muito, vender bastante e não sobrar nada.
O caminho é simples: calcule o custo real de cada produto com embalagem, aplique a fórmula de preço por canal e ajuste seu cardápio no app para refletir o valor correto. Se algum produto não consegue ser competitivo no delivery com margem saudável, você tem duas opções: reformular a receita para reduzir custo ou simplesmente não oferecer esse produto no app.
O delivery pode ser muito lucrativo — mas só para quem precifica corretamente para ele.
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